Wednesday, October 31, 2012

Arriscar é: tocar mesmo

Todos os domingos à tarde, depois da missa da manhã na igreja, o
velho padre e seu sobrinho de 11 anos saíam pela cidade e entregavam folhetos.
Numa tarde de domingo, quando chegou a hora do padre e o seu sobrinho saírem pelas ruas com os folhetos, fazia muito frio lá fora e também chovia muito. A criança agasalhou-se e disse:
-Tio, estou pronto. '
E o padre perguntou:
-'Pronto para quê?'
-'Tio, está na hora de pegarmos nos folhetos e sairmos.'
O padre respondeu:
-'Filho, está muito frio e chuva lá fora.'
O menino olhou e perguntou:
-'Mas tio, as pessoas não vão para o inferno até mesmo em dias de chuva?'
O padre respondeu:
-'Filho, eu não vou sair com o frio que faz.'
Triste, o menino perguntou:
-'Tio, eu posso ir? Por favor!'
O padre hesitou e depois disse:
-'Filho, você pode ir. Aqui estão os folhetos. Vai com cuidado.'
-'Obrigado, tio!'
Ele lá saiu no meio daquela chuva. Este menino de onze anos
caminhou pelas ruas da cidade de porta em porta entregando folhetos a todos que via.
Depois de caminhar duas horas à chuva, estava todo molhado,
mas faltava o último folheto. Ele parou na esquina e procurou por
alguém para entregar o folheto, mas as ruas estavam totalmente
desertas. Então virou-se em direção à primeira casa que viu e
caminhou pela calçada até à porta e tocou na campainha. Tocou a campainha, mas ninguém respondia. Tocou de novo, mas ninguém abriu a porta. Ele esperou, mas não houve resposta.
Finalmente, este soldadinho de onze anos voltou-se para ir embora, mas algo o deteve. Mais uma vez, ele virou-se para a porta, tocou a campainha e bateu na porta com força. Alguma coisa o fazia ficar ali na varanda. Tocou de novo e desta vez a porta abriu-se bem devagar.
De pé, na porta estava uma senhora idosa com um olhar muito triste. Ela perguntou gentilmente:
-'O que eu posso fazer por ti, meu filho?'
Com olhos radiantes e um sorriso que iluminou o mundo dela, este
pequeno disse:
-'Minha senhora, perdoe-me se incómodo, mas eu só gostaria de dizer-lhe que JESUS A AMA MUITO e eu vim aqui para lhe entregar o meu último folheto que lhe falará sobre JESUS e seu grande AMOR.'
Ele entregou o seu último folheto e virou-se para ir embora.
Ela chamou-o e disse:
-'Obrigada, meu filho!!! E que Deus te abençoe!!!'
Na manhã do seguinte domingo na igreja, o Padre, quando a missa começou perguntou:
- 'Alguém tem um testemunho ou algo a dizer?'
Lentamente, na última fila da igreja, uma senhora idosa pôs-se de pé.
Conforme ela começou a falar, um olhar glorioso transparecia no seu rosto.
- 'Ninguém me conhece nesta igreja. Eu nunca aqui estive. Antes do domingo passado eu não era cristã. O meu marido faleceu à algum tempo deixando-me totalmente sozinha neste mundo. No domingo passado, sendo um dia particularmente frio e chuvoso, eu tinha decidido no meu coração que eu tinha chegado ao fim. Eu não tinha mais esperança ou vontade de viver.
Peguei uma corda e uma cadeira e subi as escadas para o sótão
da minha casa. Amarrei a corda numa viga do telhado, subi à cadeira e coloquei a outra ponta da corda em volta do meu pescoço.
De pé naquela cadeira, tão só e de coração partido, eu estava a ponto de saltar, quando, de repente, o toque da campainha me assustou. Eu pensei:
-'Vou esperar um minuto e quem quer que seja irá embora. '
Eu esperei e esperei, mas a campainha era insistente; depois a pessoa que estava a tocar também começou a bater com força. Eu pensei:
-'Quem será? Ninguém ,me bate à porta ou me vem visitar. '
Tirei a corda do meu pescoço e segui em direção à porta,
enquanto a campainha soava cada vez mais alto.
Quando abri a porta e vi quem era, eu mal pude acreditar, pois na minha varanda estava o menino mais radiante e angelical que já vi em minha vida. O seu SORRISO, ah, eu nunca poderia descrevê-lo!
As palavras que saíam da sua boca fizeram com que o meu coração que estava morto há muito tempo recuperasse a VIDA quando ele exclamou com voz de querubim:,
-'Senhora, eu só vim aqui para dizer QUE JESUS A AMA MUITO.
Ele entregou-me este folheto que eu agora tenho nas mãos.
Conforme aquele anjinho desaparecia no frio e na chuva, eu fechei a porta e atenciosamente li cada palavra deste folheto.
Subi para o sótão para pegar a corda e a cadeira. Eu não precisava mais delas. Vêem - eu agora sou uma Feliz Filha de DEUS!!!
Já que o endereço da igreja estava no verso deste folheto,vim aqui pessoalmente para dizer OBRIGADO ao anjinho de Deus que no momento certo livrou a minha alma de uma eternidade no inferno.'
Estavam todos de lágrimas nos olhos na igreja.
o Velho Padre desceu do altar e foi em direção à primeira fila onde o seu anjinho estava sentado. Tomou o seu sobrinho nos braços e chorou copiosamente.
Provavelmente poucas igrejas tiveram um momento tão belo como este.

(autor desconhecido)

Tuesday, October 30, 2012

Arriscar é: o essencial

Contei meus anos
E descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente
Do que já vivi até agora

Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me aquela menina que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras ela chupou displicente,
mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
Cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis,
para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias
que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas
que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigam pelo
Majestoso cargo de secretário geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
Minha alma tem pressa...

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
Muito humana; que sabe rir de seus tropeços,
não se encanta com triunfos,
não se considera eleita antes da hora,
não foge da sua mortalidade.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.


(atribuído a Jorge Amado)

Monday, October 29, 2012

Arriscar é: Invernar

Se a natureza floresce na primavera
ela nasce no inverno.
Não será assim na nossa  vida?

Wednesday, October 24, 2012

Arriscar é: fogo

Vai caminhando desamarrado
Dos nós e laços que o mundo faz
Vai abraçando desenleado
De outros abraços que a vida dá

Vai-te encontrando na água e no lume
Na terra quente até perder
O medo, o medo levanta muros
E ergue bandeiras pra nos deter

Não percas tempo,
O tempo corre
Só quando dói é devagar
E dá-te ao vento
Como um veleiro
Solto no mais alto mar

Liberta o grito que trazes dentro
E a coragem e o amor
Mesmo que seja só um momento
Mesmo que traga alguma dor
Só isso faz brilhar o lume
Que hás-de levar até ao fim
E esse lume já ninguém pode
Nunca apagar dentro de ti

Não percas tempo
O tempo corre
Só quando dói é devagar
E dá-te ao vento
Como um veleiro
Solto no mais alto mar.


(Mafalda Veiga)
http://vimeo.com/41909146

Thursday, October 11, 2012

Arriscar é: loucura

"As únicas pessoas que me agradam são as que estão loucas:

loucas por viver, loucas por falar, loucas por salvarem-se."
                                                             Jack Kerouac

Tuesday, October 09, 2012

Arriscar é: Josefar

 Josefa, a bombeira
"Josefa, 21 anos, a viver com a mãe. Estudante de Engenharia Biomédica, trabalhadora de supermercado em part-time e bombeira voluntária. Acumulava trabalhos e não cargos - e essa pode ser uma primeira explicação para a não conhecermos. Afinal, uma jovem daquelas que frequentamos nas revistas de consultório, arranja forma de chamar os holofotes. Se é futebolista, pinta o cabelo de cores impossíveis; se é cantora, mostra o futebolista com quem namora; e se quer ser mesmo importante, é mandatária de juventude.
Não entra é na cabeça de uma jovem dispersar-se em ninharias acumuladas: um curso no Porto, caixeirinha em Santa Maria da Feira e bombeira de Verão.
Daí não a conhecermos, à Josefa. Chegava-lhe, talvez, que um colega mais experiente dissesse dela: "Ela era das poucas pessoas com que um gajo sabia que podia contar nas piores alturas."
Enfim, 15 minutos de fama só se ocorresse um azar... Aconteceu: anteontem, Josefa morreu em Monte Mêda, Gondomar, cercada das chamas dos outros que foi apagar de graça. A morte de uma jovem é sempre uma coisa tão enorme para os seus que, evidentemente, nem trato aqui. Interessa-me, na Josefa, relevar o que ela nos disse: que há miúdos de 21 anos que são estudantes e trabalhadores e bombeiros, sem nós sabermos.
Como é possível, nos dias comuns e não de tragédia, não ouvirmos falar das "Josefas que são o sal da nossa terra?"

                                   (Por FERREIRA FERNANDES, Diário de Notícias)

Monday, October 01, 2012

Arriscar é: ter tempo

Um exercício muito importante para este e todos os tempos é:

Para que é que eu gostava ainda de ter tempo na vida?

Arriscar é: perceber

Percebemos que tem futuro não quando tudo corre bem  mas quando nos chateamos mas não queremos ir embora.