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Thursday, April 09, 2015

Arriscar é: família 3

Tendendo a ser a forma predominante de convívio humano, o "relacionamento puro" é o que se construiu como efeito dos fenómenos sócio-culturais e económicos de nossa era. Nesse tipo de relacionamento entra-se pelo que se pode ganhar, de acordo com o grau de satisfação que pode obter, pois é "baseado na comunicação emocional, em que as recompensas derivadas de tal comunicação são a principal base para a continuação do relacionamento", e não mais as normas rígidas tradicionais. É essa liberdade em torno da sua construção e a necessidade de estar em permanente construção, que o leva a ser caracterizado como aquele que pode ser rompido por qualquer um dos parceiros, a qualquer tempo.


Algumas características específicas fazem o "relacionamento puro" distanciar-se do padrão de relacionamento do tipo tradicional: depende de processos de confiança ativa (abertura de si mesmo para o outro), da franqueza, como condição básica para a intimidade, e da democracia. Um bom relacionamento realmente é aquele que se estabelece entre iguais, em que cada parte tem seus direitos e obrigações. É dessa forma que se compreende que os relacionamentos na atualidade seguem os valores da política democrática: igualdade de direitos e de responsabilidade; o respeito mútuo; a presença do diálogo aberto como uma propriedade essencial da democracia; e a ausência de poder autoritário. Por isso, considera-se realmente que se esses princípios forem aplicados aos relacionamentos, pode-se pensar  numa "democracia das emoções na vida quotidiana", e que esse tipo de democracia lhe parece tão importante quanto a democracia pública para o aperfeiçoamento da qualidade das nossas vidas.